Guerra fria... e inútil
- Por Fernando Barbi
- Publicado 07/15/2007
Fernando Barbi
Gerente de Engenharia da Dualtec, profissional certificado PMI, Cisco e Microsoft. Atua há 20 anos no setor de tecnologia de informação com desenvolvimento e projetos de redes WAN de grande porte.
A Microsoft deve estar mesmo muito preocupada com a perda de mercado para o Linux porque está atacando em todas as frentes para assustar as empresas que adotaram o sistema aberto.
Por um lado, o vice-presidente da Microsoft, Brad Smith, trabalha para provar que o Linux violou 235 patentes da empresa, com o objetivo de criar jurisprudência que abra caminho para a companhia pedir na Justiça indenização aos clientes e usuários do Linux. Assustar os diretores de empresas que adotaram o Linux é uma tática tão simpática quanto estourar um bomba no horário de pico de um metrô lotado. Afinal, isso não é terrorismo ?
Por outro lado, o diretor de plataformas da Microsoft, Bill Hilf, apregoa que "o movimento de software livre está morto, Linux não existe em 2007 e até o Linus [Torvalds, pai do Linux] já arranjou um emprego". Ele se dirige ao pessoal mais emocionalmente envolvido com o projeto, e "rasga a fantasia": para ele não há nada de altruista no desenvolvimento atual do Linux já que grande corporações (IBM e Oracle) é que estão por trás patrocinando o seu desenvolvimento.
No nosso entender, esses movimentos estão dentro da estratégia da Microsoft de se manter líder de mercado de sistemas operacionais patrocinando uma guerra de informações, processos judiciais e relações públicas que pouco serve aos usuários e clientes de seus produtos. A Microsoft faz um bom trabalho com a inovação em seus softwares. O fato do mercado ter uma alternativa faz com que ela se dedique mais do que nos tempos em que era monopolista. Todos ganham com isso, certo ? Se assim é, não seria melhor que ela se concentrasse em melhorar seus produtos e ouvir seus clientes do que ficar jogando areia nos outros ? O mundo passou por uma guerra fria antes, não era bom mas o equilíbrio garantia aestabilidade. É por esse equilíbrio que temos de lutar no nosso setor de TI para mantê-lo saudável. Essa guerra, além de fria, é inútil.